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Comércio Exterior

Amcham alerta para impacto de novas tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras

Entidade afirma que sobretaxas de 25% podem agravar a retração do comércio bilateral e defende intensificação das negociações entre os dois países.

16 de julho de 2026 por LIDE

Abrão Neto, CEO da Amcham Brasil .Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. (Foto: Divulgação)

A decisão dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano representa um duro revés para a relação comercial entre os dois países, avalia a Amcham Brasil. A medida, anunciada pelo governo norte-americano como desdobramento da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras, entra em vigor em 22 de julho e deverá atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações dos setores industrial e do agronegócio.

Na avaliação da entidade, a nova política coloca o Brasil entre os países com as condições mais restritivas de acesso ao mercado dos Estados Unidos, apesar do superávit comercial norte-americano de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços registrado em 2025 e das baixas tarifas aplicadas pelo Brasil aos produtos dos EUA.

Além de afetar empresas exportadoras brasileiras, a Amcham argumenta que as sobretaxas tendem a elevar os custos para consumidores e indústrias norte-americanas que utilizam insumos produzidos no Brasil, reduzir a competitividade dessas empresas e ampliar a dependência de fornecedores asiáticos. A entidade também alerta para possíveis impactos negativos em áreas estratégicas de cooperação bilateral, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

Segundo a entidade, a medida pode aprofundar a retração do comércio entre os dois países, que já acumula queda de 13% neste ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor nível histórico. O cenário também pode comprometer os investimentos bilaterais, tradicionalmente impulsionados pelo dinamismo das relações comerciais.

"Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A entidade também considera positiva a definição de uma lista de produtos excluídos das novas tarifas, por reduzir parte dos impactos da medida. Ao mesmo tempo, defende a criação de um mecanismo que permita avaliar novas exclusões para itens cujas sobretaxas possam gerar efeitos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores, sem contribuir de forma efetiva para os objetivos da política comercial norte-americana.

Segundo a Amcham Brasil, o diálogo entre os governos e o setor privado seguirá sendo prioritário para preservar o fluxo de comércio, investimentos e a geração de empregos nas duas economias.