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CONSUMO

Copa de 2026 impulsiona consumo mais saudável e reduz corrida por TVs, aponta KPMG

Antecipação na compra de eletrônicos, menor consumo de álcool e busca por alimentos proteicos devem marcar os hábitos dos brasileiros durante o torneio.

15 de junho de 2026 por LIDE

Fernando Gambôa, sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul.
Fernando Gambôa, sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil. (Foto: Divulgação)

A Copa do Mundo da FIFA 2026 deve impactar o varejo brasileiro de forma diferente das edições anteriores. Segundo análise de Fernando Gambôa, sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, parte significativa dos consumidores antecipou a compra de televisores durante os eventos promocionais dos últimos meses, reduzindo a demanda típica do período imediatamente anterior ao torneio. Dados da Confi Neotrust apontam que as vendas de televisores somaram R$ 443,2 milhões apenas na Black Friday.

"Os dados dos eventos promocionais de final de ano indicam que houve sim uma antecipação da compra de televisores para a Copa. O aumento foi atípico e podemos dizer que o consumidor se adiantou para deixar a casa pronta. O que vemos nesse momento são muitas promoções para tentar atrair aqueles que deixaram para a última hora", afirma Gambôa.

O especialista destaca ainda que a Copa de 2026 deve refletir mudanças mais amplas nos hábitos de consumo, influenciadas pelo chamado "efeito GLP-1", associado à popularização das canetas emagrecedoras e ao lançamento de alternativas nacionais após a queda de patente do Ozempic. Segundo ele, alimentos com maior teor proteico ganham espaço, enquanto produtos ultraprocessados e altamente indulgentes perdem relevância nas ocasiões de confraternização.

"Essa mudança tem alterado, significativamente, o comportamento alimentar de parte da população. A proteína passa a ocupar posição central nas escolhas dos consumidores, substituindo parte dos lanches tradicionalmente associados aos momentos de confraternização e produtos ultraprocessados e altamente indulgentes perdem espaço para opções consideradas mais saudáveis, funcionais e com maior teor proteico", diz.

De acordo com dados da Kantar citados pela KPMG, as ocasiões de consumo de bebidas alcoólicas registraram queda de 34% no primeiro trimestre de 2025. Entre os grupos que mais reduziram as visitas a bares e restaurantes estão a Geração Z e os Baby Boomers, com retrações de 31% e 32%, respectivamente. A busca por refeições menores e mais equilibradas também tem levado empresas da indústria alimentícia a adaptar seus portfólios, com embalagens e porções alinhadas aos novos hábitos dos consumidores. Nesse contexto, cresce a expectativa de maior presença de bebidas sem álcool, versões zero açúcar e até mesmo opções enriquecidas com proteína durante os jogos e celebrações pós-partida.

"A combinação entre saúde, praticidade e bem-estar está redefinindo o conceito tradicional das comemorações esportivas. E a Copa do Mundo de 2026 será um importante termômetro para medir como as novas demandas dos consumidores estão remodelando categorias inteiras da indústria, desde eletrônicos e alimentos até bebidas. Mais do que acompanhar os jogos, os brasileiros devem protagonizar uma nova forma de celebrar, marcada por escolhas cada vez mais alinhadas a saúde, conveniência e qualidade de vida", finaliza Gambôa.