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Grupo do Bar Brahma investe R$ 12 milhões em nova unidade na Paulista

Com foco no samba e identidade própria, espaço integra a estratégia da Fábrica de Bares para renovar sua principal marca sem replicar o modelo tradicional.

24 de julho de 2026 por LIDE

Fachada-__Ambiente-3DUnidade na Avenida Paulista pretende ser um “museu do samba”. (Foto: Divulgação)

A Fábrica de Bares investiu R$ 12 milhões na abertura do Bar Brahma Paulista, nova unidade de sua marca de maior retorno. Instalado em um espaço de 650 metros quadrados na Avenida Paulista, o empreendimento nasce com uma proposta diferente daquela que consolidou o endereço tradicional da esquina das avenidas São João e Ipiranga.

Enquanto a casa do centro de São Paulo reúne diferentes gêneros musicais e mantém sua ligação com a história da região, a nova unidade pretende funcionar como um “museu do samba”, com programação dedicada ao samba de raiz. O público pretendido inclui desde profissionais que trabalham nas proximidades, durante o almoço e o happy hour, até turistas que circulam pela avenida.

“O diferencial dessa unidade da Paulista é ter a identidade totalmente única, tanto na arquitetura quanto na identidade visual, além do estilo musical, que será exclusivamente o samba”, afirmou Caire Aoas, um dos sócios da Fábrica de Bares, em entrevista ao InfoMoney.

A estratégia do grupo não é reproduzir formatos já existentes, mas preservar a atmosfera das marcas enquanto desenvolve uma identidade particular para cada endereço. Essa preocupação ajuda a explicar por que a abertura de uma nova unidade do Bar Brahma demorou anos, mesmo com a marca sob o comando da família Aoas desde os anos 2000.

Responsável também por Bar Léo, Riviera, Filial, Orfeu, Blue Note, Bar dos Arcos e Love Cabaret, além de ser sócia da Le Pain Quotidien, a Fábrica de Bares recebe atualmente cerca de 2,5 milhões de consumidores por ano em suas casas. O Bar Brahma é a principal fonte de retorno do grupo, enquanto Blue Note e Le Pain Quotidien também possuem peso relevante no portfólio.

Para Aoas, produto, coerência com a proposta e gestão formam os três pilares necessários para a permanência de um bar no mercado. “O desafio é manter a história em um mercado que tem ciclo de mortalidade muito curto. Os restaurantes que abrem no Brasil têm uma taxa de mortalidade média de três anos e meio”, disse.

Experiência além do consumo

Apesar de considerar São Paulo uma das melhores cidades do mundo para a atividade, o executivo reconhece os desafios enfrentados pelos bares de rua diante das dificuldades econômicas e das mudanças nos hábitos de consumo. Em sua avaliação, a gastronomia, a coquetelaria e a vida noturna paulistana têm potencial para se consolidar como expressões culturais da cidade, inclusive entre os turistas.

“É caro sair à noite, o álcool é caro. E os hábitos de consumo mudaram. As pessoas têm mais consciência sobre sua saúde, sobre sono, alimentação e álcool. E isso faz com que as pessoas selecionem melhor o que vão consumir. A gente tem que se adaptar”, afirmou.

Nesse cenário, a diferenciação pode vir do ambiente, da gastronomia, da curadoria, do serviço e da oferta de bebidas. O principal fator, segundo Aoas, é a hospitalidade. “As pessoas não saem só pelo consumo. Elas saem para se sentirem especiais, diferentes, bem recebidas, conectarem-se com alguma coisa.”

A redução do consumo de álcool entre as novas gerações e o avanço das canetas emagrecedoras também exigem adaptações dos bares e restaurantes. Para o empresário, porções menores, bebidas sem álcool e ambientes que proporcionem experiências para além da comida podem ganhar espaço entre os consumidores.

Abertura em etapas

Distribuído em três pavimentos, o Bar Brahma Paulista reúne térreo e mezanino, um Sports Bar destinado a transmissões esportivas e uma área de bilhar. A primeira parte está em fase de abertura gradual desde 16 de julho e receberá o público geral a partir de 27 de julho.

A área dedicada aos esportes tem inauguração prevista para o fim deste ano, enquanto o subsolo com bilhar deverá abrir no início de 2027. O plano inicial era inaugurar todo o empreendimento durante a Copa do Mundo de 2026, mas questões logísticas adiaram parte da operação.

Considerado um dos principais investimentos da Fábrica de Bares, o projeto foi estruturado com uma perspectiva de longo prazo. O grupo não estabeleceu pressa para recuperar o capital investido nem para expandir o novo conceito.

“Nosso olhar é de longo prazo. Então, temos essa conta do payback de dois, três, quatro anos. É um negócio que a gente pretende que cresça de maneira sólida”, afirmou Aoas.