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Levantamento

Nova geração brasileira quer empreender, mas esbarra em desigualdade e falta de oportunidades, revela estudo do British Council

Pesquisa “Next Generation Brasil 2025” mostra que, apesar da resiliência e da esperança, a juventude brasileira enfrenta desafios profundos em educação, mercado de trabalho e inclusão social.

20 de outubro de 2025 por LIDE

IMAGEM-ILUSTRATIVANovos dados mostram profundas divisões sociais entre os jovens brasileiros e diferentes níveis de confiança. (Foto: Divulgação)

A nova geração brasileira é criativa, resiliente e cheia de ambição, mas continua presa em um cenário de desigualdade e falta de oportunidades. É o que mostra o relatório Next Generation Brasil 2025, lançado pelo British Council, que ouviu mais de 3 mil jovens de 16 a 35 anos em todas as regiões do país.

O estudo, o mais abrangente já realizado pela instituição no Brasil, traça um panorama das esperanças, desafios e realidades dessa geração. A educação aparece como um dos principais gargalos: metade dos jovens entre 19 e 24 anos não possui diploma universitário nem está estudando atualmente. As desigualdades raciais e territoriais são marcantes — enquanto 55% dos jovens em grandes centros urbanos têm ensino superior, esse número cai para 14% nas favelas e apenas 10% nas áreas rurais.

Os professores despontam como figuras de confiança: 69% dos entrevistados afirmaram que seus docentes são a principal fonte de informação confiável, superando jornais, redes sociais e até a família. Ainda assim, os jovens apontam a necessidade de valorização salarial, melhor formação e infraestrutura adequada nas escolas.

No mercado de trabalho, os desafios se repetem. Para 66% dos jovens, os salários estão abaixo das expectativas e 56% se queixam de longas jornadas. Em resposta, 70% sonham em empreender, embora 40% afirmem que a falta de acesso ao crédito seja o principal obstáculo. Segundo Tom Birtwistle, diretor do British Council no Brasil, compreender essas percepções é essencial: “Precisamos ouvir os jovens de verdade — não apenas interpretá-los por meio de números. O Next Generation Brasil nos ajuda a enxergar o país sob a ótica deles.”

As disparidades raciais continuam a moldar a realidade dessa geração. Jovens brancos ganham 19% mais que a média nacional, enquanto jovens pretos recebem 31% menos. Metade dos jovens pretos vive com até um salário mínimo e meio por mês, e quatro em cada dez não conseguem cobrir suas despesas básicas. Além disso, 86% dos jovens pretos afirmaram já ter vivenciado episódios de racismo, e um em cada cinco disse ter sido rejeitado em um emprego por causa da cor da pele.

As desigualdades de gênero também persistem. Setenta e oito por cento dos entrevistados acreditam que o país ainda é profundamente machista, e 73% reconhecem que as mulheres enfrentam discriminação no ambiente de trabalho. Mesmo com maior escolaridade, as disparidades salariais permanecem: mulheres negras com diploma universitário ganham, em média, 70% menos que homens brancos com a mesma formação.

A relação com a política é marcada pela desconfiança: 33% dos jovens não confiam em nenhuma instituição pública. No entanto, isso não representa apatia — 22% afirmam que se engajariam mais se houvesse diálogo direto com líderes políticos e 24% acreditam que as escolas poderiam incentivar a participação cívica.

Apesar dos desafios, o sentimento de esperança prevalece. A cultura brasileira, a culinária e a família foram apontadas como principais fontes de orgulho e pertencimento. Entre as prioridades que os jovens esperam do governo, destacam-se a geração de empregos e estágios, a redução das desigualdades e a oferta de uma educação mais prática e conectada ao mercado.

O Next Generation Brasil 2025 mostra que, mesmo diante de tantas barreiras, os jovens seguem determinados a transformar o país. Como resume Larissa Fontana, do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE): “Os jovens se importam profundamente com o Brasil. O que falta é que o Estado e as instituições aprendam a escutá-los de verdade.”