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Empresas avançam em gestão de riscos e reforçam estruturas de controle

Estudo da KPMG mostra consolidação de áreas dedicadas, políticas formais e maior alinhamento a padrões globais.

17 de dezembro de 2025 - Atualizado em 17 de dezembro de 2025 às 12h10 por LIDE

Sidney Ito, CEO do ACI Institute da KPMG no Brasil. (1)Sidney Ito, sócio da KPMG no Brasil. (Foto: Divulgação)

O gerenciamento de riscos se consolidou como uma das prioridades das companhias abertas no Brasil. Segundo a 20ª edição do estudo “A Governança Corporativa e o Mercado de Capitais”, da KPMG, 80% das empresas listadas já contam com uma área dedicada à gestão de riscos e 91% afirmam possuir uma política corporativa formal sobre o tema.

O estudo mostra ainda que 96% das companhias avaliam como adequado o ambiente de controles internos, percentual idêntico ao das empresas que afirmam manter uma área estruturada de auditoria interna. Os dados indicam que a maioria das companhias abertas já opera com práticas consolidadas de governança e gestão de riscos, alinhadas a padrões globais e às exigências regulatórias.

No campo da governança corporativa, 85% dos conselhos de administração realizam avaliações periódicas de desempenho, enquanto 75% promovem análises individuais de seus membros. Todas as empresas analisadas cumprem a Resolução CVM 168, que exige ao menos 20% de conselheiros independentes — em 42% dos casos, esse percentual é superior ao mínimo regulatório.

Apesar dos avanços, o estudo aponta desafios na composição dos conselhos, especialmente em relação à diversidade. Em 2025, a participação feminina nos conselhos de administração subiu de 16% para 17%. Ao mesmo tempo, 70% das companhias contam com pelo menos uma mulher no conselho, número ligeiramente inferior ao registrado no ano anterior, quando era de 71%.

O levantamento também indica que o número médio de integrantes nos conselhos permaneceu estável, com sete membros, consolidando uma tendência observada nos últimos anos. Para a KPMG, os dados reforçam a maturidade das estruturas de governança, mas evidenciam a necessidade de avanços na pluralidade dos colegiados.

“O levantamento mostra que as empresas brasileiras têm avançado de maneira consistente na estruturação de mecanismos de governança e gestão de riscos, em linha com as exigências regulatórias da CVM e as boas práticas globais. Entretanto, os dados também evidenciam que ainda há espaço relevante para melhorias, especialmente no fortalecimento da diversidade e na busca por conselhos mais plurais e representativos”, afirma Sidney Ito, sócio da KPMG no Brasil.

Na mesma linha, Fernanda Allegretti, líder do Board Leadership Center, destaca que o ritmo de crescimento da participação feminina segue limitado. “Ainda que os dados mostrem uma evolução gradual na participação feminina nos conselhos, o ritmo de crescimento segue abaixo. A presença de apenas uma mulher em grande parte das companhias evidencia que a diversidade de gênero, quando ocorre, muitas vezes não se traduz em representatividade efetiva”, diz.