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Trump chama adversários de comunistas e diz que identidade americana está sob ataque

04 de julho de 2026 Redação O Estado de S. Paulo, Estadão Conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 3, que a identidade do país está sob um "ataque renovado" e voltou a mirar supostos "radicais e extremistas" internos, na véspera das comemorações pelos 250 anos da independência americana.

Quatro meses antes das disputadas eleições de meio de mandato, o presidente americano ainda aproveitou o cenário do Monte Rushmore, na véspera do 250º aniversário da nação, para caracterizar seus adversários políticos como comunistas "ateus" e "maléficos".

"Só podemos perder as eleições de meio de mandato se nos permitirmos perder, se formos tolos, estúpidos e imprudentes", disse ele na sexta-feira, exigindo que o Congresso aprovasse a chamada Lei SAVE America, que imporia regras mais rígidas de identificação do eleitor, tornando mais difícil votar.

"Ao nos aproximarmos desse magnífico aniversário, vemos nossa identidade americana sob um ataque renovado", declarou também. Segundo o presidente, há um "ressurgimento da ameaça do comunismo" nos Estados Unidos.

O republicano tem intensificado esse discurso nas últimas semanas, após vitórias da ala mais à esquerda do Partido Democrata em eleições primárias. Trump tem apresentado o avanço desse grupo como evidência de que "comunistas" representam uma ameaça ao país às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Comunismo e ataque ao excepcionalismo americano

Trump iniciou seu discurso com uma retórica grandiosa sobre o "excepcionalismo americano", mas alegou que "nos últimos anos houve uma tentativa inegável de mudar esse caráter excepcional, de arrancar de nós o espírito americano e de nos afastar da nossa história".

Em seguida, deu uma guinada para um discurso politicamente sombrio, com alertas sobre uma suposta ameaça sinistra de comunismo.

"O comunismo é uma ameaça mortal à liberdade americana", afirmou ele no Monte Rushmore. "É a maior ameaça ao nosso país, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, Pearl Harbor ou até mesmo o 11 de setembro."

Embora tenha evitado o tom mais agressivo que costuma adotar ao falar sobre imigração, Trump alertou sobre supostos "recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente contrárias ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso".

"Eles não precisam ter nascido aqui, mas precisam amar o que construímos", disse.

Há anos circulam especulações de que Trump gostaria de ver seu rosto esculpido no Monte Rushmore. Parlamentares republicanos chegaram a apresentar um projeto de lei propondo incluir sua imagem ao lado dos quatro presidentes homenageados no monumento, George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt.

Neste sábado, 4, data em que os Estados Unidos celebram o Dia da Independência, Trump promoverá um comício no National Mall, em Washington, com sobrevoo de aeronaves militares e um espetáculo de fogos de artifício.

Ao longo das celebrações pelos 250 anos do país, o presidente tem buscado associar as festividades à sua gestão.

País dividido

Os Estados Unidos chegam ao marco histórico em meio a forte polarização política.

Democratas criticam Trump por sua política migratória, pelo crescimento do patrimônio de sua família e pelas iniciativas para ampliar os poderes da Presidência. O presidente também enfrenta baixos índices de aprovação, influenciados pela guerra no Irã e pelo aumento do custo de vida.

Uma organização ligada a Trump, a Freedom 250, assumiu o controle de parte das celebrações dos 250 anos do País, reduzindo o protagonismo do grupo bipartidário America250. A mudança levou parte dos participantes a se afastar dos principais eventos.

Uma feira comemorativa realizada em Washington também recebeu críticas pelos espaços vazios, em parte devido à intensa onda de calor que atinge o leste do país.

A previsão é de que as altas temperaturas persistam durante todo o fim de semana. Na quarta-feira, Trump ironizou a situação.

"No 4 de Julho fará cerca de 41°C, e vou fazer um discurso muito longo apenas para mostrar que posso fazer qualquer coisa", afirmou.

Às vésperas do aniversário de 250 anos da independência, pesquisas indicam um cenário de pessimismo entre os americanos. Levantamento da Universidade Quinnipiac, divulgado na quinta-feira, mostrou que 61% dos entrevistados consideram que os Estados Unidos não estão à altura dos ideais expressos na Declaração de Independência.

O resultado, porém, reflete a divisão política do país: a maioria dos republicanos avalia que os EUA cumprem esses princípios, enquanto a maioria dos democratas pensa o contrário./com AFP, AP e NYT