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Da hotelaria às apostas: as ações que Wall Street monitora durante a Copa do Mundo

Bancos e analistas identificam empresas dos setores de turismo, alimentação, mídia e bebidas que podem se beneficiar do aumento do consumo e da circulação de torcedores durante o torneio.

11 de junho de 2026 por LIDE

my-profit-tutor-bdJ8Kxaz-mQ-unsplashWall Street aposta no campeonato para impulsionar receitas em setores ligados ao turismo e consumo. (Foto: Unsplash)

A Copa do Mundo de 2026 começa com um novo formato, reunindo 48 seleções e 104 partidas disputadas nos Estados Unidos, México e Canadá. Para Wall Street, porém, o principal interesse está menos nos impactos macroeconômicos do evento e mais na capacidade do torneio de impulsionar receitas em setores diretamente ligados ao aumento do turismo e do consumo.

De acordo com reportagem da Bloomberg, bancos como Deutsche Bank e Citi, além da Bloomberg Intelligence, identificaram empresas que podem se beneficiar do crescimento da demanda por hospedagem, alimentação, publicidade, mobilidade e apostas esportivas ao longo dos 39 dias de competição. O Deutsche Bank estima que cerca de 1,2 milhão de torcedores internacionais viajarão para acompanhar os jogos.

Apesar da expectativa de movimentação econômica, o banco avalia que o impacto sobre a economia americana tende a ser limitado. Mesmo considerando a estimativa da FIFA de uma contribuição de até US$ 17,2 bilhões ao PIB dos Estados Unidos, o efeito representaria um impulso temporário de aproximadamente 0,05% da atividade econômica do país.

Para determinados segmentos, no entanto, o cenário é mais favorável. Segundo os analistas do Deutsche Bank, "a Copa do Mundo será uma oportunidade para que os setores e empresas mais expostos registrem um impulso temporário", especialmente nas áreas de lazer, alimentação, bebidas, mídia, tecnologia e apostas esportivas.

No setor hoteleiro, o banco incorporou às projeções uma melhora entre 50 e 75 pontos-base na receita por quarto disponível dos REITs ligados à hotelaria. Entre as empresas citadas estão DiamondRock Hospitality, Host Hotels & Resorts, Park Hotels & Resorts e Ryman Hospitality Properties, além das redes Hyatt Hotels, Hilton Worldwide e Marriott International.

As perspectivas positivas também alcançam empresas de mobilidade e hospedagem alternativa. Uber, Lyft e Airbnb aparecem entre as companhias monitoradas pelo Deutsche Bank, diante da expectativa de aumento na demanda por transporte e acomodações nas cidades que receberão partidas do torneio.

No segmento de alimentação, o banco destaca que o fluxo adicional de turistas e a concentração de consumidores em torno dos jogos podem favorecer tanto restaurantes quanto plataformas de entrega. Redes como Shake Shack, The Cheesecake Factory, Chipotle, Starbucks, Wingstop e Domino's Pizza figuram entre as potenciais beneficiárias.

A Copa também deve ampliar as receitas do mercado publicitário. O Deutsche Bank cita projeções do Sportico que apontam para aproximadamente US$ 850 milhões em investimentos publicitários relacionados ao torneio nos Estados Unidos. Fox Corporation e Telemundo, responsável pelos direitos em espanhol por meio da Comcast, aparecem entre os principais nomes associados a esse movimento.

As apostas esportivas formam outro segmento acompanhado de perto pelos investidores. O banco estima que o volume total apostado durante a competição possa chegar a US$ 3,3 bilhões, podendo alcançar US$ 4,1 bilhões em um cenário mais otimista. FanDuel e DraftKings estão entre as empresas que podem capturar parte relevante desse montante.

Entre as fabricantes de artigos esportivos, Adidas e Nike surgem como possíveis vencedoras em função dos acordos de patrocínio, da visibilidade das seleções nacionais e do lançamento de produtos associados ao campeonato. A Bloomberg Intelligence avalia que a oportunidade comercial para a Adidas ligada à Copa do Mundo pode atingir 1,2 bilhão de euros.

Na América Latina, analistas também enxergam oportunidades para empresas com forte presença nos países-sede ou em mercados tradicionalmente ligados ao futebol. Arca Continental, Gruma, Coca-Cola Femsa e Femsa aparecem entre os nomes monitorados, enquanto Ambev e Arcos Dorados são destacadas pela exposição aos mercados brasileiro e argentino.

A Bloomberg Intelligence ressalta que campanhas promocionais, ativações digitais e ações de patrocinadores oficiais podem impulsionar o consumo durante o torneio. Ainda assim, o potencial de ganhos varia entre as companhias e dependerá da evolução da audiência, do fluxo turístico e do desempenho das seleções com maior apelo comercial.