Fortuna de Elon Musk ultrapassa US$ 1 trilhão e recoloca em debate quem foi o homem mais rico da história
Com o IPO da SpaceX, empresário sul-africano se torna o primeiro trilionário da era moderna, mas ainda fica atrás de figuras históricas como Mansa Musa e o imperador Augusto.
Elon Musk ultrapassou US$ 1 trilhão, consolidando sua posição como a pessoa mais rica do mundo e o primeiro trilionário da era moderna. (Foto: Divulgação)
Elon Musk acaba de alcançar um marco inédito na história recente do capitalismo. Após a abertura de capital da SpaceX, a fortuna do empresário sul-africano ultrapassou US$ 1 trilhão, consolidando sua posição como a pessoa mais rica do mundo e o primeiro trilionário da era moderna.
Segundo reportagem do InfoMoney, o patrimônio de Musk é composto por cerca de US$ 167 bilhões em participação na Tesla, aproximadamente US$ 538 bilhões em ações pré-IPO da SpaceX e cerca de US$ 150 bilhões em opções de ações das duas companhias. Sozinha, sua fortuna supera a soma dos patrimônios dos cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos, e do fundador da Oracle, Larry Ellison.
A riqueza acumulada por Musk equivale a cerca de 3% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos e supera a atividade econômica anual de mais de 125 países, incluindo África do Sul, Noruega, Argentina e Tailândia. Em termos proporcionais à economia americana, o empresário também ultrapassa magnatas da Revolução Industrial, como John D. Rockefeller e Andrew Carnegie.
Rockefeller, fundador da Standard Oil, acumulou aproximadamente US$ 1,4 bilhão até 1937, valor equivalente a cerca de 1,5% do PIB dos Estados Unidos na época. Já Carnegie, que construiu sua fortuna no setor siderúrgico, reuniu cerca de US$ 380 milhões, o equivalente a aproximadamente 0,5% da economia americana quando morreu, em 1919.
Apesar do feito histórico, especialistas ressaltam que comparar fortunas de diferentes períodos é uma tarefa complexa, já que envolve mudanças no poder de compra, nos padrões de vida e na estrutura econômica global. Ainda assim, algumas figuras do passado permanecem como referências quando o critério é o peso da riqueza em relação à economia de suas épocas.
Entre elas está Jakob Fugger, banqueiro e comerciante alemão nascido em 1459 e conhecido como "O Rico". Considerado um dos pioneiros do comércio em escala global, ele financiou líderes políticos e religiosos da Europa renascentista. Historiadores estimam que sua fortuna equivaleria atualmente a cerca de US$ 400 bilhões, podendo representar até 10% da economia europeia de então.
Em termos nominais ajustados, outros governantes também aparecem entre os mais ricos da história. Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia entre 1762 e 1796, teria controlado uma fortuna próxima de US$ 1,5 trilhão. Já o imperador romano Augusto teria acumulado riqueza equivalente a cerca de US$ 4,6 trilhões ao deter o controle de aproximadamente um quinto da economia do Império Romano.
No topo dessa lista histórica costuma aparecer Musa Keita I, conhecido como Mansa Musa. Governante do Império do Mali a partir de 1312, ele controlava vastos territórios na África Ocidental e tinha acesso a grande parte da produção mundial de ouro. Durante uma peregrinação a Meca, em 1324, teria distribuído tantas riquezas no Egito que contribuiu para um período de inflação na região.
Segundo especialistas, a fortuna de Mansa Musa é impossível de calcular com precisão. Estima-se, porém, que o rei controlasse cerca de um terço da produção global de ouro em uma época em que o metal era a principal reserva de valor do mundo.
Além da concentração de riqueza, a trajetória desses grandes magnatas também esteve associada à filantropia. Rockefeller e Carnegie financiaram universidades, bibliotecas, hospitais e museus nos Estados Unidos. Fugger criou um dos primeiros projetos habitacionais do mundo, o Fuggerei, onde moradores ainda hoje pagam um aluguel simbólico.
Musk também realizou doações bilionárias em ações para instituições beneficentes e anunciou contribuições para diferentes causas ao longo dos anos. Sua atuação filantrópica, no entanto, é alvo de críticas. O jornal The New York Times classificou suas doações como "aleatórias e, em grande parte, voltadas para seus próprios interesses", apontando ainda possíveis benefícios fiscais associados a essas iniciativas.