Brasil está entre os países mais avançados no uso de IA no dia a dia, aponta EY
Pesquisa mostra que brasileiros utilizam inteligência artificial acima da média global para planejar viagens, obter atendimento ao cliente e até buscar orientações sobre saúde.
David Dias, sócio-líder de inteligência artificial da EY na América Latina. (Foto: Divulgação)
Os brasileiros estão entre os usuários mais ativos de inteligência artificial no mundo. É o que revela a nova edição do Sentiment Index, estudo global da EY que avalia tanto a adoção da tecnologia quanto a percepção das pessoas sobre seus impactos no cotidiano.
Segundo o levantamento, 95% dos entrevistados no Brasil afirmam já utilizar ferramentas de IA — índice dez pontos percentuais acima da média global. O resultado coloca o país no grupo dos oito mercados considerados pioneiros na adoção da tecnologia, ao lado de Índia, China, México, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong e Coreia do Sul.
O estudo mostra que os brasileiros utilizam a inteligência artificial com mais frequência do que a média mundial em diversas tarefas do dia a dia. Cerca de 45% afirmam recorrer à tecnologia para encontrar a melhor rota ao dirigir ou viajar, percentual 14 pontos percentuais superior ao registrado globalmente. Outros 42% utilizam IA para acessar serviços de atendimento ao cliente, três pontos acima da média internacional.
A tecnologia também tem sido aplicada em temas ligados ao bem-estar e à saúde. De acordo com a pesquisa, 36% dos brasileiros usam IA para descrever sintomas e obter possíveis diagnósticos, dez pontos percentuais acima da média global. Já 26% afirmam utilizar essas ferramentas para conversar sobre sentimentos ou saúde mental, nove pontos acima do índice mundial.
No planejamento de viagens, 29% dos entrevistados dizem contar com a ajuda da inteligência artificial para organizar roteiros e atividades, resultado quatro pontos percentuais superior ao observado no restante do mundo.
"O Brasil tem por característica ser aberto a experimentar novidades, e isso está retratado na pesquisa. Se conseguirmos alinhar esse aspecto cultural com questões de regulamentação, escalabilidade e força de trabalho, o potencial econômico fica ainda maior, exigindo das empresas nesse processo uma capacidade de transformação constante", afirma David Dias, sócio-líder de inteligência artificial da EY na América Latina.
Apesar do elevado nível de adoção, o estudo aponta que os brasileiros mantêm uma postura crítica em relação à tecnologia. Entre os entrevistados, 87% consideram que deve haver transparência sempre que um conteúdo for criado ou influenciado por inteligência artificial.
Além disso, 57% manifestam preocupação com a possibilidade de a IA tomar decisões que não reflitam suas prioridades ou valores pessoais, enquanto 62% afirmam receio em relação à dificuldade de distinguir o que é real diante do avanço da IA generativa.
"Essas porcentagens evidenciam que os brasileiros, apesar de terem abraçado a IA, possuem uma visão crítica sobre essa tecnologia e estão atentos às implicações potencialmente negativas para suas vidas que ela pode trazer", completa Dias.
A classificação de mercado pioneiro considera três fatores: o percentual de pessoas que utilizaram IA nos últimos seis meses, o uso recente de agentes de inteligência artificial e o nível de conforto, entusiasmo e percepção sobre o impacto da tecnologia na vida dos entrevistados. A pesquisa ouviu mais de 18 mil pessoas em 23 mercados ao redor do mundo.