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Descarbonização

Brasil antecipa transição energética no setor marítimo com embarcação a hidrogênio verde

Projeto JAQ Apoio Marítimo inicia tour técnico por portos do país com embarcação híbrida que reduz até 80% das emissões.

02 de fevereiro de 2026 por LIDE

barco real mockup logo 1Projeto JAQ Apoio Marítimo inicia tour técnico por portos do país com embarcação híbrida que reduz até 80% das emissões. (Foto: Divulgação)

O setor marítimo brasileiro inicia 2026 com um movimento inédito rumo à descarbonização. A embarcação JAQ H1, do projeto JAQ Apoio Marítimo, começa em fevereiro um tour técnico pelos principais portos do país para validar, em escala real, a operação de motores híbridos movidos a hidrogênio verde (H2V).

Idealizado por Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, em parceria com GWM, Itaipu Parquetec, Heineken e Artefacto, o barco de 36 metros de comprimento — equivalente a cerca de 500 m² de área útil — percorrerá o litoral brasileiro, de Belém (PA) ao Rio Grande do Sul, com o objetivo de consolidar a redução de até 80% das emissões de dióxido de carbono.

A agenda do primeiro semestre inclui a participação no Rio Boat Show 2026, entre 25 de abril e 3 de maio, na Marina da Glória (RJ). Durante o evento, o JAQ H1 funcionará como plataforma para visitas técnicas, navegações demonstrativas e encontros institucionais.

O cronograma do tour antecede a assinatura do decreto de regulamentação do Marco Legal do Hidrogênio, compromisso assumido pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, durante a COP30, realizada em Belém (PA), após inspeção técnica à embarcação ao lado do presidente do Grupo Náutica.

A regulamentação representa a etapa final para a plena implementação das leis sancionadas em 2024: a Lei nº 14.948/2024, que instituiu a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, e a Lei nº 14.990/2024, que criou o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC). O decreto federal deverá definir os critérios de habilitação ao Rehidro — regime que suspende PIS e Cofins na aquisição de equipamentos e insumos — além das regras para a concessão de R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais previstos entre 2028 e 2032.

A estrutura regulatória busca oferecer previsibilidade ao setor diante das novas metas da Organização Marítima Internacional (IMO). Em outubro de 2026, a entidade votará o Marco de Emissões Zero, que poderá instituir taxas de até US$ 380 por tonelada de CO₂ emitida acima do limite permitido, com vigência prevista a partir de 2028. As penalidades representam um passivo potencial estimado em US$ 1 trilhão para a frota marítima global.

Na fase atual, o JAQ H1 opera com motores dual-fuel da alemã MAN, capazes de utilizar uma mistura de 20% de hidrogênio verde ao diesel, mantendo a possibilidade de reversão integral ao combustível fóssil em caso de instabilidade no abastecimento. Como parte do projeto, o Porto do Açu (RJ) passou a integrar o JAQ como base oficial de testes, voltada a estudos de viabilidade comercial e logística.

O investimento privado, estimado em R$ 150 milhões, inclui ainda a construção do JAQ H2, já iniciada. A nova embarcação, com 50 metros de comprimento e entrega prevista para 2027, será equipada com um eletrolisador a bordo, capaz de produzir hidrogênio a partir da dessalinização da água do mar, eliminando a dependência de infraestrutura externa de reabastecimento.

“A antecipação das operações técnicas em relação à assinatura do Marco do Hidrogênio permite que a regulamentação nasça baseada em casos reais de navegação. A indústria precisa dessa convergência entre as metas da IMO e a legislação brasileira para viabilizar a transição das frotas comerciais”, afirma Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto.

Ernani PaciornikErnani Paciornik, presidente do Grupo Náutica. (Foto: Divulgação)

Além das demonstrações operacionais, as escalas do JAQ H1 em 2026 serão utilizadas para pesquisas, coleta de dados oceanográficos e compartilhamento de relatórios técnicos. Equipado com um auditório para até 40 pessoas, o barco também receberá estudantes da rede pública e privada, funcionando como um centro flutuante de educação, inovação e conscientização ambiental.