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Infraestrutura

Risco financeiro lidera preocupações do setor de infraestrutura, aponta KPMG

Levantamento indica desafios com regulação, mão de obra e cenário político, enquanto capital privado desponta como principal tendência de investimento.

26 de março de 2026 por LIDE

sócia-diretora de infraestrutura da KPMG no Brasil, Tatiana GruenbaumTatiana Gruenbaum, sócia-diretora líder do segmento de infraestrutura da KPMG no Brasil. (Foto: Divulgação)

O risco financeiro é a principal preocupação do setor de infraestrutura, segundo levantamento da KPMG. De acordo com o estudo, 41% dos entrevistados apontam esse fator como o mais relevante, seguido por questões regulatórias (32%), incertezas trabalhistas e falta de mão de obra qualificada (29%) e o cenário político (27%).

A segunda edição da pesquisa “Infraestrutura: perspectivas e oportunidades de investimentos” também destaca outros riscos, como cadeia de suprimentos (20%), fatores climáticos e cambiais (10% cada), licenciamento ambiental (7%) e cibernético (2%).

Segundo Tatiana Gruenbaum, sócia-diretora líder do segmento de infraestrutura da KPMG no Brasil, o setor vive um momento de expansão, mas ainda enfrenta vulnerabilidades estruturais. De acordo com ela, os desafios incluem a estruturação de crédito de longo prazo em um ambiente de juros elevados, além da necessidade de maior estabilidade normativa para atrair investidores. A executiva também aponta a escassez de profissionais especializados e a volatilidade política como fatores que impactam a previsibilidade dos projetos.

O estudo mostra ainda que o capital privado deve se consolidar como a principal tendência no setor, citado por 44% das empresas. Outros vetores relevantes incluem transição energética e resiliência (33%), infraestrutura inteligente (31%), capacidade de execução (28%), inovação na construção (26%) e qualidade dos projetos (22%). Cadeia de suprimentos sustentável, digitalização e uso de gêmeos digitais aparecem com 10% cada.

Para Gruenbaum, o protagonismo do setor privado nos investimentos tende a se intensificar, com o próximo ciclo de crescimento atrelado à agenda de sustentabilidade, inovação tecnológica e eficiência operacional.

Entre os principais desafios do segmento, o levantamento aponta o contexto político e econômico (31%) e o financiamento (27%) como os mais citados. Em seguida, aparecem o licenciamento ambiental (14%), a visibilidade de projetos de médio e longo prazo (10%), a adoção de inteligência artificial generativa e outras tecnologias (8%), o marco regulatório (6%) e a falta de empresas para contratos EPC — Engenharia, Aquisição e Construção (4%).

A pesquisa indica que a maioria dos participantes atua nos segmentos de construção civil (43%) e rodovias (33%), seguidos por ferroviário (17%), portos (5%) e aeroportos (2%). Em relação ao perfil, 70% das empresas se identificam como prestadoras de serviço, enquanto 16% atuam como investidores, 10% como concessionárias e 3% representam o setor público.