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O Boticário mapeou o consumidor com IA. Agora quer mostrar que ela vale mais do que descontos

Estratégia baseada em dados e inteligência artificial ajudou a companhia a dobrar de tamanho em quatro anos e assumir a liderança do mercado de beleza.

26 de junho de 2026 por LIDE

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Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário. (Foto: Divulgação)

O Grupo Boticário praticamente dobrou de tamanho nos últimos quatro anos. Segundo o InvestNews, o volume bruto de mercadorias comercializadas (GMV) passou de R$ 18 bilhões em 2021 para R$ 38,1 bilhões em 2025, crescimento superior a R$ 20 bilhões no período. Parte dessa expansão foi impulsionada pela inovação. Em 2025, 27% de tudo o que o grupo vendeu era composto por produtos que não existiam em seu portfólio um ano antes. O desempenho também levou a empresa à liderança nas categorias de perfumaria, maquiagem e cuidados com a pele, à frente da Natura, segundo dados da NielsenIQ.

A inteligência artificial tornou-se um dos principais pilares dessa estratégia. Assim como Natura e L'Oréal, o Grupo Boticário vem ampliando o uso da tecnologia para personalizar a experiência do consumidor, otimizar operações e acelerar o desenvolvimento de novos produtos. Segundo o CEO Fernando Modé, o diferencial da companhia não está apenas na inteligência artificial, mas na estrutura de dados construída ao longo dos últimos anos.

“Eu vejo as pessoas que querem chegar à IA, mas não construíram o caminho antes”, afirmou o executivo ao InvestNews.

A transformação começou após a pandemia, quando a companhia decidiu desenvolver uma infraestrutura própria para integrar lojas físicas, e-commerce e venda direta em uma única base de dados. A iniciativa permitiu criar um cadastro unificado dos consumidores em todos os canais. Dessa estratégia surgiu o programa de fidelidade Beauty Box, lançado em 2024 e que atualmente reúne mais de 26 milhões de usuários ativos. Segundo Modé, os dados gerados pela plataforma permitem compreender o comportamento dos consumidores em tempo real.

“No mesmo CPF, se você está buscando uma jornada de presente para alguém, tem um comportamento diferente de quando quer algo para uso diário. As suas necessidades se alternam de acordo com o dia”, disse.

Com essa base estruturada, o Grupo Boticário ampliou o uso de inteligência artificial em praticamente toda a operação. No abastecimento das lojas, a empresa utiliza 16 mil modelos de machine learning para prever a demanda por produtos em cada unidade. Segundo a companhia, a tecnologia reduziu em até 40% a falta de produtos nas prateleiras e diminuiu em 25% o excesso de estoque. A IA também apoia as decisões de expansão da rede por meio de um modelo que analisa 2,7 mil variáveis para identificar novos pontos comerciais.

No último ano, o grupo inaugurou 120 lojas, o maior volume da última década. Já nas ações de relacionamento com clientes, a inteligência artificial permite criar mais de 1,3 mil combinações de campanhas personalizadas, aumentando em 14 vezes os pedidos originados pelo aplicativo. A tecnologia também chegou às áreas de pesquisa e desenvolvimento. O projeto Lyra automatiza testes de qualidade de produtos e reduziu em 62% o tempo de análise dos pesquisadores. Já o BotiEssence utiliza totens e QR Codes para recomendar perfumes em tempo real nas lojas.

Para Modé, o próximo desafio é levar essa inteligência ao ambiente físico. A estratégia prevê adaptar estoques, treinamento das equipes e exposição de produtos de acordo com o perfil predominante dos consumidores de cada unidade. “Estamos aprendendo a reconhecer esses consumidores, identificar onde estão e atribuir a melhor exposição em loja, o treinamento diferenciado para esses atendentes”, afirmou.

Apesar do cenário de desaceleração do consumo, o executivo acredita que a combinação entre dados, inteligência artificial e inovação continuará sustentando o crescimento da companhia. “Acreditamos que imagem de marca, qualidade do SKU e entendimento do consumidor são questões estruturais, que suplantam uma conjuntura que estamos enfrentando”, disse Modé.