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Gastronomia

Janaína Torres investe R$ 7 milhões para reviver clássico de São Paulo

Previsto para 2027, Estrela da Cidade ocupará o antigo Star City, em Santa Cecília, com cardápio brasileiro, música ao vivo e comando direto da chef.

23 de julho de 2026 por LIDE

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Chef Janaína Torres. (Foto: Reprodução)

A chef Janaína Torres prepara a reabertura de um endereço que marcou a gastronomia paulistana por sete décadas. Com investimento estimado em R$ 7 milhões, o antigo Star City, em Santa Cecília, dará lugar ao Estrela da Cidade, restaurante previsto para abrir em 2027 sob o comando direto da empresária.

Janaína frequentava o Star City com a família desde a infância, especialmente para comer a feijoada servida diariamente. Após o encerramento das atividades, em janeiro de 2024, ela decidiu adquirir o casarão construído na década de 1950, o mobiliário e o que havia restado da operação, conforme informações da Exame.

O imóvel será restaurado e ampliado, com intervenções estruturais, instalação de coifa e caixa de gordura e preparação da fundação para a construção de um terceiro pavimento. O projeto arquitetônico ficará a cargo do Metro Arquitetos Associados, escritório responsável por trabalhos para instituições como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Bienal de São Paulo.

“Eu estou tentando baixar, baixar, baixar porque fiquei desesperada. Mas o investimento está em R$ 7 milhões. É um imóvel muito antigo. Não tinha nem coifa, nem caixa de gordura, e vou ter que fazer uma fundação para levantar o terceiro andar”, afirmou Janaína.

A capacidade será reduzida de 90 para 58 lugares, permitindo uma operação mais controlada e próxima da cozinha. A proposta não é reproduzir integralmente o antigo restaurante, mas preservar sua memória por meio da recuperação de elementos arquitetônicos, móveis e referências do cardápio.

Fundado em 1953 com o nome de Stork Club, o restaurante funcionou inicialmente nas proximidades da Avenida Angélica e depois se mudou para a Rua Frederico Abranches. Além da feijoada diária, tornou-se conhecido por pratos como língua ao molho madeira, camarão à provençal, canja de galinha e pescada à belle meunière.

“Vou deixar mais ou menos como era antes, para que as pessoas se recordem”, disse a chef. “Era um restaurante que fazia feijoada todos os dias. Eu ia lá porque era apaixonada por feijoada, que é um dos meus pratos-ícones. Então ele volta a ter feijoada todos os dias.”

O cardápio do Estrela da Cidade também deverá reunir ingredientes de pequenos produtores, pratos brasileiros e receitas de panela associadas ao Bar da Dona Onça. A pescada à belle meunière deve retornar com o nome de “pescada da bela do moinho”, enquanto rabada, galinhada e estrogonofe estão entre as preparações consideradas para o menu.

A música será outra ligação com a história do endereço, que recebia seresteiros e apresentações no salão. Janaína planeja instalar um piano-bar e oferecer música brasileira ao vivo, dentro de uma proposta definida por ela como a de um restaurante cultural.

Operação sob o comando da chef

O Estrela da Cidade será o primeiro restaurante planejado para funcionar sob o comando direto de Janaína, que participa de cinco operações gastronômicas no centro de São Paulo. Ela pretende continuar presente diariamente no Bar da Dona Onça, mas concentrará a maior parte do tempo na nova casa, que não terá um chef executivo encarregado de executar suas ideias.

A chef terá como sócio Julio Neto, herdeiro do empresário Julio Cesar de Toledo Piza Junior, que participou da abertura do Bar da Dona Onça. Inaugurado em 2008 no térreo do Edifício Copan, o restaurante atende cerca de 15 mil pessoas por mês, tem tíquete médio próximo de R$ 130 e capacidade para 120 clientes nas áreas interna e externa.

A expansão dos negócios de Janaína ocorreu por meio de operações distintas, mas conectadas por fornecedores, equipes e conhecimento de cozinha. Depois do Dona Onça, ela participou da criação da Casa do Porco, do Hot Pork, da Sorveteria do Centro e do Merenda da Cidade.

No novo projeto, a redução da capacidade e a preservação da identidade histórica mostram que a estratégia não está voltada à replicação em série ou à busca imediata pelo maior faturamento possível. A aposta combina gastronomia, memória e experiência em um imóvel cuja recuperação é mais cara e demorada, mas que também diferencia o negócio em um mercado no qual conceitos e cardápios podem ser facilmente reproduzidos.