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Agronegócio

Mudanças climáticas lideram riscos para o agro em 2026

Levantamento da EY mostra que 79% dos líderes do setor atribuem impacto alto ou muito alto ao clima; gestão de pessoas e geopolítica completam as três principais preocupações.

23 de julho de 2026 por LIDE

agro_estudo_ey_otavio_lopes_08.06.2026-1-768x432Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY. (Foto: Divulgação)

As mudanças climáticas representam o principal risco para o agronegócio brasileiro em 2026, com impactos que se estendem da produção ao crédito, ao seguro rural e ao acesso a mercados. Entre os líderes do setor ouvidos pela EY, 79% classificaram o impacto do tema como alto ou muito alto, conforme informações da Agência EY.

O resultado integra o estudo “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, que apresenta um recorte exclusivo sobre o Brasil. Secas, enchentes e geadas dificultam o planejamento dos produtores e aumentam a exposição do setor a quebras de safra, volatilidade dos mercados, exigências ambientais e possíveis interrupções logísticas.

“Vivemos um ambiente de policrise, marcado por incertezas, volatilidade e mudanças climáticas constantes, o que naturalmente impacta a confiança das empresas e reduz a disposição do mercado em responder e projetar cenários. Ao mesmo tempo, esse contexto também abre espaço para oportunidades e para a adaptação do setor”, afirma Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY.

Para o executivo, a resposta a esse cenário envolve a modernização das operações e uma compreensão mais precisa do perfil de risco das companhias.

A gestão de pessoas ocupa a segunda posição no ranking. Em 2024, o agronegócio reunia 28,2 milhões de trabalhadores no país, enquanto a mão de obra representava entre 20% e 40% do custo total da produção agrícola. A digitalização, a expansão do setor e a profissionalização das operações ampliaram a necessidade de formar, atrair e reter profissionais qualificados.

Geopolítica e comércio internacional aparecem em terceiro lugar, especialmente entre as empresas inseridas nas cadeias agrícolas brasileiras e com menor nível de preparação. Disputas comerciais, guerras, choques no fornecimento de insumos, pandemias e mudanças regulatórias podem alterar as margens entre uma safra e outra.

Políticas, reformas e regulações governamentais ocupam a quarta colocação. Regras tributárias, ambientais, de crédito e de incentivo influenciam diretamente a rentabilidade, a competitividade e a viabilidade das atividades do setor, embora as empresas reconheçam que ainda estão pouco preparadas para lidar com essas questões.

Na quinta posição estão tecnologia, transformação digital e inovação, áreas nas quais o agronegócio também demonstra baixo nível de preparação. O desafio ganha relevância diante da concorrência internacional em mercados marcados por subsídios, barreiras tarifárias e políticas de apoio aos produtores.

“O avanço tecnológico torna-se fator determinante para ganhos de produtividade e crescimento sustentável”, afirma Lopes. O executivo destaca a atuação das agtechs brasileiras em áreas como finanças, genética, saúde animal e comercialização de insumos, movimento que evidencia a intensidade da transformação digital e aumenta a pressão pela incorporação dessas soluções nas empresas.