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Alimentos

Seara entra em mercado de R$ 12 bilhões com linha de marmitas

Companhia aposta em pratos congelados com perfil de comida caseira para ganhar espaço em uma categoria ainda fragmentada e acompanhar novos hábitos de consumo.

23 de julho de 2026 - Atualizado há 9 horas por LIDE

João Campos, CEO da SearaJoão Campos, CEO da Seara. (Foto: Divulgação)

A Seara, empresa da JBS, entrou no mercado brasileiro de marmitas, estimado em R$ 12 bilhões e ainda marcado pela fragmentação, pela baixa padronização e pela ausência de marcas nacionais dominantes. A companhia aposta na escala industrial e na força da marca para avançar em uma categoria impulsionada pelo aumento do custo das refeições fora de casa e pela maior frequência do consumo de alimentos preparados no ambiente doméstico.

A nova linha de pratos congelados segue o conceito de clean label, com ingredientes reconhecíveis e receitas inspiradas na comida feita em casa. Desde maio, estão disponíveis nos supermercados opções como feijoada, frango desfiado, carne moída com legumes e linguiça calabresa acebolada, acompanhadas pelos itens tradicionalmente associados a cada prato.

“Não se trata de criar um novo hábito, mas de organizar um mercado que já existe e cresce rapidamente”, afirmou João Campos, CEO da Seara. “Nossa proposta é levar escala, consistência e qualidade para uma categoria que faz parte da rotina do brasileiro.”

A estratégia busca transformar a percepção de um segmento que, apesar do tamanho, ainda apresenta traços de informalidade. Ao oferecer refeições completas, a Seara também amplia sua atuação para além das categorias tradicionais e passa a disputar novas ocasiões de consumo ao longo do dia, conforme informações do InfoMoney.

Em São Paulo, cerca de 18 milhões de marmitas são consumidas mensalmente, de acordo com levantamento da principal empresa de entregas do país. O hábito também ganhou força entre consumidores de maior renda: pesquisa da consultoria Galunion aponta que 61% dos entrevistados da classe A passaram a levar refeições preparadas em casa com mais frequência.

A mudança mostra que a marmita deixou de ser vista apenas como uma alternativa econômica e passou a atender também à busca por praticidade, controle da alimentação e conveniência. Esse movimento ocorre paralelamente ao avanço das canetas emagrecedoras e à maior atenção à composição nutricional das dietas, fatores que ampliam a procura por alimentos com mais proteína, ingredientes simples e informações claras.

“A inovação hoje está diretamente conectada à saúde e à rotina das pessoas”, disse Campos. “Quando avançamos em linhas com maior teor proteico e ingredientes mais simples, estamos acompanhando uma transformação real na forma de consumir alimentos.”

Para a companhia, o consumidor procura soluções adequadas a diferentes momentos, do almoço rápido no escritório a uma refeição mais indulgente em casa durante o fim de semana. “Nosso grande salto de crescimento vem de uma mudança de mentalidade”, afirmou o executivo. “Deixamos de olhar somente para o volume na gôndola e passamos a mapear a jornada do consumidor.”